Archive for October, 2008

Obrigada,Sr

October 29, 2008

 

 

Com segurança, serenidade

me fez ver que era possível.

Com a sabedoria e tranquilidade

de um grande Mestre

me apontou caminhos e

paisagens de desejos

que se fundiam, que se mesclavam

como auroras rubras num ceu sereno.

 

Obrigada, Senhor, por me fazer ver, acreditar

e por me tomar de mim mesma

tao surpreende e arrebatadoramente.

 

Obrigada por me dar a chance,

obrigada por me fazer ver

que servi-lo

é, hoje, meu unico desejo.

{anammk}_MA

Dominação Feminina

October 28, 2008

 

 

Esse  assunto  eu pouco  conheço,  so  de  observar  e  ler  algo  aqui ou  ali.Mas  ouso falar  alguma  coisa  sobre o  que observo.

Parece “natural”  que  dominantes  sejam  homens  e  “submissas”  mulheres,  isto  está  em  nosso  velho  cérebro,  ainda  na  época  em que  homens  caçavam e  mulheres  coletavam, homens  eram  fortes e  ganhavam  suas parceiras por  sua  visivel  capacidade  em poder mante-las. As  escolhas eram  muito mais   marcadas  pela possibilidade  de  gerar filhos  saudaveis  e capazes  de  serem mantidos, e  o  prazer  tao  humano, uma possibilidade  de   fazer  fluir  um potencial  maior  de  diversidade  genetica. Isso  dizem os psicologos  evolucionistas  e discute-se  hoje, nas   ciencias  sociais em que  partia-se da premissa  de que  somos seres unicamente  culturais.Mas  essa é  outra   discussão.

A  humanidade  em  constante  evolução  ja tem  soluções  a  procriação  e juventude,  seios  fartos e  quadris largos  podem  mandar  mensagens  ao  cerebro de uma  boa  reprodutora mas  ainda  assim os   comportamentos vao  se   distanciando ,talvez  nao  tanto quanto  gostariamos, de  um modelo mais  biológico. Enfim,  essa   discussão é  ampla  e nao é  nela  que  quero  ficar. Também  nao   considerando  os  novos papeis  que  enquanto  mulheres  assumimos  socialmente  nem as  premissas   feministas.

A  dominação  masculina é  cultural e  biologicamente  explicada, a  dominação feminina  vem de  outra  natureza. E  falando  de  BDSM, de outra  mesmo. Aqui  falamos  de pulsoes,  desejos,  negações  que  conduzem  a   erotização  do  poder. E  mulheres anseiam  tambem por  poder  erotico, pelo  dominio  do parceiro  e em  exercitar  seu  sadismo,  da  forma  que  lhe  convier ou melhor , no  SSC.

O  que  eu pessoalmente  percebo, no  entanto, é  que  embora se  diga  que  a  dominação é  diferenciada  da  masculina, posso  estar errada  mas  nao percebo porque  caminhos  ela se  diferencia. Ha  D\s, há sadismo/masoquismo, ha  prazer. Mulheres   trazem  sutilezas  ao que  fazem  e   esse pode  ser  um  diferencial.

No  entanto, ainda  assim os caminhos  das práticas  e do  relacionamento parecem nao  diferir  muito  do  padrão   de  relacionamento  masculino. E  considerando  que  em  BDSM  há  de haver  deslocamento  de poder  e o poder  se  revela   atraves  da posse  e  do possuir ( o corpo) podemo s  ter  uma  talvez  “falsa”  semelhança.

De  certa  forma ,me parece,  que  as  mulheres  ao  dominarem no  BDSM,  reificam  um modelo masculino  e  reificam o poder  do  falo  atraves  da pratica mais  comum: a  inversão. Ela possui e o  homem é  possuido ( no  caso de  um  casal  hetero ). É  um ponto  de  vista  que   gostaria  de  discutir. Porque na  minha  percepção,  a  dominação  feminina  poderia  se  dar  através  da  consolidação  do   poder  do  feminino,  de  seu órgão e  pela  linguagem  milenar  das  mulheres:  a  sedução.

O   desejo  de dominar,  de  humilhar,  de  “domesticar”  o  macho é perceptível,  so  que, esse  “macho”  dominado, por  sua   vez, assume  papéis  de  “não  macho” . Não digo  em momento  algum  que  nao  sejam  viris  ou  que  sejam  afeminados  ou  momentaneamente  feminilizados, nao   discuto isso. Mas  na  minha  forma  de  ver, D\s  e sadismo/masoquismo têm  nuances  muito sutis  em  se  tratando  de  homens  e  mulheres.

Essa é  minha  maneira  de  ver  e  contribuições  a  uma  melhor  entendimento, são  necessárias e mais  que  bem  vindas.

BDSMala

October 28, 2008

 

Aprender  parece  que  virou  coisa  secundária. Todo  mundo  repete  ”  a  vida é  um  aprendizado,aprendemos  todo o  tempo”   e blablabla, o  que nao  deixa  de  ser  verdade,  mas estava  pensando. Nao  preciso  teorizar  para  ir  ao  trabalho, nao  preciso   muito  além  de  certas  noções  e informações  para  me  vestir, não preciso  saber o  que  Freud  falou  sobre   sexo para   faze-lo.  A  gente  simplesmente  faz, é  bom  e  vai  dormir  em  paz.

No  entanto,  quando a  gente  complica a   vida, ou  a  nossa  mente  e  nossos  desejos  se  complicam colocando o elemento poder no  meio  do  sexo  e   o  corpo   cisma  em   tirar prazer  da   dor, tudo  muda  de  figura.

Ha  quem  viva seu  BDSM  sem  pensar. Quando muito  arruma  justificativas  para  seu prazer  exótico. Há ,porém,  aqueles  que   além de  suas  justificativas, querem  saber  porque  elas   surgem, o  que  significam  e  ao frequentarem o  meio ambiente  BDSM  ainda se inquietam  em  saber  como ele  se organiza  e   seu modus operandi. Essas pessoas  sao as BDSMalas, eu  acho.

Só  que  sou  uma  perfeita BDSMala, ja passei  muito  de  uma  mera  necessaire. Uma  das  coisas  que  ultimamente  mais  me instigam , e quando  falo  ultimamente, falo  de  dois  anos e pouco, é  justamente  entender os  mecanismos  de  uma  D/s, o que é  dominação,  submissão, sadismo, masoquismo, liturgias  e  relacionar  todas  essas  coisas, refletir,  estabelecer  links  entre  elas, encontrar  respostas, compreensão.

Eu mesma  me pergunto pra  que  serve  isso  tudo e  confesso  que nao   sei  mas ate   me  dediquei um pouco  a isso.  Vejo  crescer  minha  vontade  em ler mais, muito  mais,  discutir  mais. Um prazer intelectual,nao  sei, um deleite pessoal. Nao  procuro  verdades  nem  convicções,muito menos  referências  teóricas, mas  me parece  que  é uma  forma  de internalizar  conceitos  e  ideias  e   de  idealizar  prazeres.

No  entanto,  quanto mais  se  criam  noções  e  conceitos  mas  distante  fico  do  real. Isso é  bom e   ruim, alias  como  tudo  nesse   meio, maniqueísmos  rasteiros  nao   cabem.  È  a  imprevisibilidade,  os  meandros  nao  claros, os  caminhos  sinuosos    que  sao   interessantes.

Falar  sobre  BDSM é  um prazer  em  si, que pode  vir,  separado  do  de  viver  BDSM, mas  geralmente  acontece  junto, dada  a  dialetica  necessaria  entre praxis  e  discurso.  Mas  eu  sou  meio  diferente  e  na  verdade  nem  entendo  bem  ainda esse  vasto  universo, nem  vivi o  suficiente para   dialogar  em  minhas  reflexões, mas  só  quero  expressar  que  gosto  disso  e  que,na minha opinião,  é  uma  das  melhores  coisas  que podemos  fazer  coletivamente.

Promover  debates  de  idéias. Falar  muito  sobre o que  se  sente,  se  desconfia  e  se  supõe  saber, ouvir  mais  ainda. Isso  instiga   a  mente, as  fantasias  e o  desejo  e  eles ficam  aonde?

De   vez  em  quando  me  surgem  tantos  temas  que podemos   relacionar, tanto  assunto  que  pode  ser  melhor  entendido. É  tudo  tao  complexo  mas  , interessante  eu  acho, é  ouvir  de  subs  amigas, quando algo nao  acontece  exatamente  conforme  o  combinado a  famosa  frase:  “são  todos  iguais”. Tops   também, “essas  subs  são  todas  iguais”.

Sinceramente, ha  tantos  motivos  para  se  viver  BDSM  quase quanto  o numero  de praticantes  e  mais, cada  relação é  praticamente  um “BDSM”  novo que  se inicia, como podem  ser vivencias  tao   diferentes  se  todos  sao tao  iguais. Onde  fica  o  especifico nesse  mar  de  generalizações e   generalidades. Mas  isso  acontece porque  há padrões:  nas  escolhas, nos  encontros, nas  vivencias  na  maneira  como  as  relações  começam, caminham e   terminam. Ha  muitas  situações,  na minha pouca  vivência,  que  me parecem  um  “déjà vu” e vivi pouco.

Bem,  escrevi  isso nao para  chegar a  conclusão alguma  , a  não  ser  da  minha  consciência  que  sou  BDSMala. rs

Medo de Amar n.2

October 24, 2008

você me deixa um pouco tonta
assim meio maluca
quando me conta essas tolices e segredos
e me beija na testa, e me morde na boca
e me lambe na nuca
você me deixa surda e cega
você me desgoverna
quando me pega assim
nos flancos e nas pernas
como fosse o meu dono
ou então meu amigo
ou senão meu escravo

e eu sinto o corpo mole
e eu quase que faleço
quando você me bole e bole
e mexe e mexe
e me bate na cara
e me dobra os joelhos
e me vira a cabeça

mas eu não sei se quero ou se não quero
esse insensato amor
que eu desconheço
e que nem sei se é falso ou se é sincero
que me despe e me vira pelo avesso

não eu não sei se gosto ou se não gosto
de sentir o que eu sinto
e que me atormenta
e eu confesso que tremo desse sentimento
que de repente chega
e que me ataca
e assim me faz perder-me
e nem saber se esses carinhos
são suaves ou velozes
se o que escuto é o silêncio
ou se ouço vozes

 

sueli   costa

Conversas BDSM: síndrome da sub histerica

October 23, 2008
 

Noites e noites de conversas no msn com amigos e amigas de todos os lados do chicote e vai-se aprendendo muitas coisas, mirando-se em exemplos, ouvindo casos, confortando, ganhando colo, rindo de bobagens e por ai segue a “vida” msn-istica.

Dai que colocando tudo no liquidificador, a gente ve que surgem duas coisas: um liquido mais espesso em baixo, do povo que ta feliz, ta de boa e um mais liquefeito por cima do povo que ta indo.Eu to bem e to indo, depende do ponto de partida ou chegada. Do em relação a que. Antes de ontem estava a mil, animadérrima, ontem nem tanto e ai leio uma amiga: “isso é bem coisa de mulher”. Pois é, mulheres…..a gente tem uma compulsao pra falar, para argumentar, contar e na verdade nao se busca soluções é so ouvir e dizer: é, te entendo. Ta de bom tamanho, mas os homens nao são bem assim, tem a tal objetividade, se falam, querem soluções, se falamos querem dar tambem soluções ou covardemente se eximem delas sumindo, o que nao deixa de ser uma solução.

Ultimamente, tenho coisas na garganta que para alivio e deleite  s

ó meu, confesso, gostaria imensamente de dizer,nao importa a solução ( sou mulher ) , so quero falar, mas como o interlocutor é homem, me diz nem fale porque nao há solução. Mas nao quero soluções, ora. Sei busca-las sozinha, entre aspas, meus/minhas amigas que o digam.( aproveitando a oportunidade, obrigadao )

Mas a quest

ão é SM aqui e o assunto das conversas, também. Eu vejo esse espaço como um espaço franco, onde se pode quase tudo, quase, por que incluo coisas que nao caem bem, mas acho que nele tambem cabem ” coisas bonitas que eu acredito que não deixarão de existir: amizade, palavra, respeito, caráter, bondade, alegria e amor” e “não posso aceitar sossegada qualquer sacanagem ser coisa normal”  lembrando uma musica antiga.

Mas ainda que seja uma visao de mundo SM estilo Polyanna-Alice, nao sou nem uma nem outra e embora essas coisas bonitas tenham que existir ha outras menos bonitas que tambem precisam viver aqui dentro. Erros, m

ágoas, dor ( claro ), inseguranças, medos, jogadas, desprezos, exclusões sõa coisas que acontecem em qualquer ambiente, mas entendo que elas possam ser vistas e trabalhadas de outra forma. O que seria do SM se nao houvesse sentimentos que nao gostamos de lidar fora dele. Em outro contexto eles trazem outras emoções mas aqui,nao necessariamente.
Estou dando voltas, eu sei, mas ha a licença SM para nao ser tao legal o tempo todo. Eu acredito nisso.Carater blabla se tem ou nao tem, mas ha situações que são conflitantes, por carater dizemos a verdade e por estarmos nesse ambiente diferenciado, somos interpretados de outra forma, porque ha a prerrogativa do nao ouvir, das conclusões rápidas e das soluçõ
es relampago.

Quem ocupa o lado da ponta do chicote, esta em desvantagem sempre nessa quest

ão, porque tudo que dizemos éporque esta despeitada“, “por que ta interessada no Dono da outra“, “porque não é amiga”, “porque é histérica”, “porque é ansiosa”…Gente….ser submissa é tudo isso? A gente faz tudo por prazer, por tesão, se submete, se deixa levar nas situações mais “estranhas” porque conseguiu entregar-se a ela e a entrega é tao nobre…tao linda…a submissao nao deixa de ser uma bravura, uma quase virtude, ou nao? Porem, desde que, findo o “relacionamento” mantenhamos a boca fechada, porque em nenhum lugar vale mais a premissa de que “tudo que voce disser pode ser usado contra você “. Mas nao ha razão nem verdade. Esse manto da sub histerica abriga muita coisa indevida, mas sempre justificadas porque afinal “ela esta despeitada“, “ela quer ele de volta“, ” ela ta jogando“. Não. Convenhamos, isso é tedioso.

Somos adultos e fazemos “jogos” adultos, sabemos infrigir dor fisica e moral e suporta-las, logo, porque abafar os sons, calar as vozes ou insisitir que quem tem o poder ( mesmo qdo a rela

ção acaba ) tem a palavra final ou melhor o silencio magnanimo e final enquanto a submissa ( mulher !!! , no melhor estilo falante ) é nao consensualmente amordaçada e penalizada ao comentar ou extremamente inconveniente se quiser em algum momento uma DR ( discutir relação) mesmo depois dela morta.

Os r

ótulos , os prejulgamentos sobre o comportamento submisso ( e incluo aqui as masocas,alias nao estou distinguido ) são comentados a exaustao por ai, enquanto o dos Tops , chega-se ao máximo do com maiuscula ou com minuscula as vezes sem muita explicação do que significa. Mas esse nao é o ponto.

So acho que mulheres falam, verbalizam, poem pra fora e por vezes pouco importa a resposta e nem esta nisso a solu

ção, homens são mais contidos e mantem o estilo “nao vou falar disso” , mas cansa.( Confesso, li Homens sao de Marte e Mulheres sao de Venus rs).

Mas me incomoda porque sou mulher e verbalizo tudo, isso

é minha personalidade, por outro lado me incomoda ver relatos de situações exdruxulas em que alguem comenta: mas sera que ela nao fala isso por rancor? Sera que ela nao esta chateada porque ele nao a quis? Sim, pode haver rancor, chateações e dai? Expor isso publicamente depende do tamanho do salto que se usa. Armar barraco é questão de educação , mas falar, ao menos com “o interessado” como isso lhe pareceu ou atingiu, nao parece coisa de outro mundo.

Sempre se repete por ai que ha de haver di

álogo e eu me questiono, em que momento pode haver dialogos? Quando tudo vai bem,sim, depois que a relação acaba, nao mais, qualquer palavra é a sindrome da sub histerica.

Lagrimas Ocultas

October 23, 2008

 

 

 

 

Se me ponho a cismar em outras eras

Em que ri e cantei, em que era querida,

Parece-me que foi noutras esferas,

Parece-me que foi numa outra vida…

E a minha triste boca dolorida,

Que dantes tinha o rir das primaveras,

Esbate as linhas graves e severas

E cai num abandono de esquecida!

E fico pensativa, olhando o vago…

Toma a brandura plácida de um lago

O meu rosto de monja de marfim…

E as lágrimas que choro, branca e calma,

Ninguém as vê brotar dentro da alma,

Ninguém as vê cair dentro de mim!

 

 

Florbela   Espanca

Femea,tua

October 22, 2008

Vem,  vem   correr   o   risco

se  jogar  no  vazio  comigo

apostar  no  jogo

mergulhar  bem   fundo

nas   aguas  do meu  corpo

encher  os pulmoes  com  meu  cheiro

sem   garantias

nada   seguro

larga   teu  medo

teu  orgulho, deixa  na porta

e   vem  prum  voo  no  escuro

me   faz   santa  das   tuas  angustias

puta   da   tua   devassidao

femea tua.

ana.mmk

Humildade

October 13, 2008

 

 

 

Toda a terra que pisas, eu qu’ria ajoelhada,

Beijar terna e humilde em lânguido fervor;

Qu’ria poisar fervente a boca apaixonada

Em cada passo teu, ó meu bendito amor!

De cada beijo meu, havia de nascer

Uma sangrenta flor! Ébria de luz, ardente!

No colo purpurino havia de trazer

Desfeito no perfume o mist’rioso Oriente!

Qu’ria depois colher essas flores reais,

Essas flores de sonho, entranhas, sensuais,

E lançar-tas aos pés em perfumados molhos.

Bem paga ficaria, ó meu cruel amante!

Se, sobre elas, eu visse apenas uma instante

Cair como um orvalho os teus divinos Olhos!

 

 

 

Florbela Espanca

October 13, 2008

 

 

Eu  amo  seu  sadismo

me   encontro  com  ele

nas  noites   vazias

nuas,  sem luas

sem  cios,   sem   desejos.

Me    solte  de   suas  cordas

Ou aperte  os  nós

que  somos  nós.

D\s

October 13, 2008

 

 

Dominio

submissao

desejo

sofreguidão

dor

salvação

delirio

sonho

decepção

superação

desmonte

sentimento

doce

selvagem

demencia

sanidade

desequilibro

sensatez

desalinho

sabedoria

desconstrução

sexo

delicadeza

sadismo

destruição

solidez

descompostura

sensualidade

desonra

sede

Dominio

submissao.