Conversas BDSM: síndrome da sub histerica

 

Noites e noites de conversas no msn com amigos e amigas de todos os lados do chicote e vai-se aprendendo muitas coisas, mirando-se em exemplos, ouvindo casos, confortando, ganhando colo, rindo de bobagens e por ai segue a “vida” msn-istica.


Dai que colocando tudo no liquidificador, a gente ve que surgem duas coisas: um liquido mais espesso em baixo, do povo que ta feliz, ta de boa e um mais liquefeito por cima do povo que ta indo.Eu to bem e to indo, depende do ponto de partida ou chegada. Do em relação a que. Antes de ontem estava a mil, animadérrima, ontem nem tanto e ai leio uma amiga: “isso é bem coisa de mulher”. Pois é, mulheres…..a gente tem uma compulsao pra falar, para argumentar, contar e na verdade nao se busca soluções é so ouvir e dizer: é, te entendo. Ta de bom tamanho, mas os homens nao são bem assim, tem a tal objetividade, se falam, querem soluções, se falamos querem dar tambem soluções ou covardemente se eximem delas sumindo, o que nao deixa de ser uma solução.
Ultimamente, tenho coisas na garganta que para alivio e deleite  s








ó meu, confesso, gostaria imensamente de dizer,nao importa a solução ( sou mulher ) , so quero falar, mas como o interlocutor é homem, me diz nem fale porque nao há solução. Mas nao quero soluções, ora. Sei busca-las sozinha, entre aspas, meus/minhas amigas que o digam.( aproveitando a oportunidade, obrigadao )


Mas a quest


ão é SM aqui e o assunto das conversas, também. Eu vejo esse espaço como um espaço franco, onde se pode quase tudo, quase, por que incluo coisas que nao caem bem, mas acho que nele tambem cabem ” coisas bonitas que eu acredito que não deixarão de existir: amizade, palavra, respeito, caráter, bondade, alegria e amor” e “não posso aceitar sossegada qualquer sacanagem ser coisa normal”  lembrando uma musica antiga.


Mas ainda que seja uma visao de mundo SM estilo Polyanna-Alice, nao sou nem uma nem outra e embora essas coisas bonitas tenham que existir ha outras menos bonitas que tambem precisam viver aqui dentro. Erros, m


ágoas, dor ( claro ), inseguranças, medos, jogadas, desprezos, exclusões sõa coisas que acontecem em qualquer ambiente, mas entendo que elas possam ser vistas e trabalhadas de outra forma. O que seria do SM se nao houvesse sentimentos que nao gostamos de lidar fora dele. Em outro contexto eles trazem outras emoções mas aqui,nao necessariamente.
Estou dando voltas, eu sei, mas ha a licença SM para nao ser tao legal o tempo todo. Eu acredito nisso.Carater blabla se tem ou nao tem, mas ha situações que são conflitantes, por carater dizemos a verdade e por estarmos nesse ambiente diferenciado, somos interpretados de outra forma, porque ha a prerrogativa do nao ouvir, das conclusões rápidas e das soluçõ
es relampago.


Quem ocupa o lado da ponta do chicote, esta em desvantagem sempre nessa quest



ão, porque tudo que dizemos éporque esta despeitada“, “por que ta interessada no Dono da outra“, “porque não é amiga”, “porque é histérica”, “porque é ansiosa”…Gente….ser submissa é tudo isso? A gente faz tudo por prazer, por tesão, se submete, se deixa levar nas situações mais “estranhas” porque conseguiu entregar-se a ela e a entrega é tao nobre…tao linda…a submissao nao deixa de ser uma bravura, uma quase virtude, ou nao? Porem, desde que, findo o “relacionamento” mantenhamos a boca fechada, porque em nenhum lugar vale mais a premissa de que “tudo que voce disser pode ser usado contra você “. Mas nao ha razão nem verdade. Esse manto da sub histerica abriga muita coisa indevida, mas sempre justificadas porque afinal “ela esta despeitada“, “ela quer ele de volta“, ” ela ta jogando“. Não. Convenhamos, isso é tedioso.


Somos adultos e fazemos “jogos” adultos, sabemos infrigir dor fisica e moral e suporta-las, logo, porque abafar os sons, calar as vozes ou insisitir que quem tem o poder ( mesmo qdo a rela


ção acaba ) tem a palavra final ou melhor o silencio magnanimo e final enquanto a submissa ( mulher !!! , no melhor estilo falante ) é nao consensualmente amordaçada e penalizada ao comentar ou extremamente inconveniente se quiser em algum momento uma DR ( discutir relação) mesmo depois dela morta.


Os r


ótulos , os prejulgamentos sobre o comportamento submisso ( e incluo aqui as masocas,alias nao estou distinguido ) são comentados a exaustao por ai, enquanto o dos Tops , chega-se ao máximo do com maiuscula ou com minuscula as vezes sem muita explicação do que significa. Mas esse nao é o ponto.
So acho que mulheres falam, verbalizam, poem pra fora e por vezes pouco importa a resposta e nem esta nisso a solu


ção, homens são mais contidos e mantem o estilo “nao vou falar disso” , mas cansa.( Confesso, li Homens sao de Marte e Mulheres sao de Venus rs).


Mas me incomoda porque sou mulher e verbalizo tudo, isso


é minha personalidade, por outro lado me incomoda ver relatos de situações exdruxulas em que alguem comenta: mas sera que ela nao fala isso por rancor? Sera que ela nao esta chateada porque ele nao a quis? Sim, pode haver rancor, chateações e dai? Expor isso publicamente depende do tamanho do salto que se usa. Armar barraco é questão de educação , mas falar, ao menos com “o interessado” como isso lhe pareceu ou atingiu, nao parece coisa de outro mundo.


Sempre se repete por ai que ha de haver di


álogo e eu me questiono, em que momento pode haver dialogos? Quando tudo vai bem,sim, depois que a relação acaba, nao mais, qualquer palavra é a sindrome da sub histerica.

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