Archive for January, 2009

Nao definimos pessoas mas conceitos BDSM

January 26, 2009

Nao ha de fato uma Biblia BDSM detrminando as coisas, por outro lado quem constroi os conceitos e valores desse mundinho somos nos mesmos, justamente em discussoes, textos, conversas que produzimos e tambem pelas nossas praticas, criamos um consenso do que é isso tudo. Criamos uma sub cultura como define Foucault, pq criamos codigos proprios e entedidos por todos que o compartilham, tipo : coleira. Usando ou nao, todos nos sabemso o significado dela, se usamos é questao pessoal,mas compartilhamos do entendimento do que elas significam.

O sentir é da esfera do pessoal, cada um sabe o que sente e constroi sua identidade homossexual, BDSM, swinger, hedonista, libertina.Isso e´ insquestionavel. Cada um se posiciona e se assume conforme o que sente e lhe faz sentido, ninguem é swingueiro por obrigação ou coerção de outros, nem masoquista, nem dominador, nem sadico, nem hedonista. A gente é e que bom que assumimos e nos permitimos viver o que somos.Nao ha regulamentos quanto a isso
.

Tambem nao ha formas unicas de ser Dom ou sub ou mesmo baunilha, porque no plano erotico, tesao é super pessoal, nao ha pessoas com tesoes exatamente iguais nem em intensidade nem com a mesma listinha de coisas e tesoes e fantasias qdo chegam a pratica, sao negociadas entre as pessoas de alguma forma, mesmo sem palavras. Se no sexo baunilha mudo para a minha posição preferida, estou sinalizando que é como gosto, negociando que se faça assim, pq tb fiquei numa posição preferida para o outro, o exemplo é meio assim,mas quero dizer q negociamos com nossos parceiros

Se cada pessoa tem um, é obvio que no BDSM tambem é assim, portanto o de um Dominador nao é exatamente o do outro embora ambos sejam e se sintam dominadores, pq tem um elemento ai que os une 😮 desejo de dominar. Logo, como vao dominar é problema deles e de suas subs. Mas o desejo de Dominar, de submeter-se , de ter praticas sadicas ou masoquistas permeia todos nos e nos une. È nesse sentido que se fala do “vem de dentro”, do “sentir”. A partir disso, vem as praticas.

Entendo que fetiches ha muitos e outros a inventar, a surgirem, duvido muito que a humanidade tenha esgotado todas as formas de erotizar o mundo, mas dentre essas posibilidades , esta o universo do que chamamos BDSM. E , convenhamos, essas nossas praticas e desejos são “domesticadas” internamente e resignificadas quando formamos um grupo e justamente discutimos e compartilhamos as maneiras pelas quais exercitamos e realizamos nossas fantasias nao muito convencionais. Dai, a formalização de ideias que nao estao em parte alguma mas estao em todos nos é importante, pq nos da unidade na diversidade. E justamente um dos tesoes BDSM são as regras, os limites justamente por que ha a transferencia de poder. Poder é o ponto crucial do BDSM, sem ele as relações seriam de igualdade e é esse desequilibrio que nos da tesao.Portanto, eu entendo que é nesse sentido que se tenta definir mais amplamente o que é BDSM alem dos itens da sua sigla.
Em termos pessoais podemos ser tudo de alternativo ou convencional em termos eroticos e ainda assim BDSMers.Podemos ser libertinos, hedonistas, homossexuais e adorar transferir poder, servir ou dominar. Tb podemos ser ultra romanticos, buscar um amor eterno naquele que nos domina ou que submetemos e viver felizes e ainda formar uma familia. Nada impede, nada é errado se somos assim. Mas a transferencia de poder e o tesao nela, ta ali fazendo parte de tudo que somos. Acho esse o ponto mais importante para tentar definir o que é BDSM. O ponto de partida.

Só que BDSM é mais que praticas, ha uma ideologia nisso que serve inclusive para nos mesmos aceitarmos que ser sadico com alguem nao é estranho,nem se excitar pq somos amarradas e chicoteadas. Construir um discurso e um pensamento BDSM domestica instintos e nos envolve numa atmosfera , numa ambiencia que faz fluir nossa “perversao”, “tesao” seja la que nome possamos dar ou deem por nos.

È dessa forma que entendo, minha maneira de ver. Entendo que se busca definir limites do que é isso tudo e eles nos sao necessarios,mas longe disso, de que alguem vai dizer voce é, voce nao é. Mas muito mais no sentido de vamos discutir o que somos a partir do que sentimos e queremos, reconhecendo diferenças e tambem o que temos em comum. Dai chegamos a um minimo denominador comum que chamamos BDSM, mas sempre cientes d e que tesoes sao pessoais e que todos aqui os sente a partir de coisas semelhantes. Discutir ou definir é um exercicio coletivo de construção.

So pra finalizar, discutir isso, é para muitos um prazer, um exercicio intelectual, um desafio e algo extremamente tedioso para muitos outros. Enfim, somos diferentes mas buscamos os traços comuns que nos unem,so isso. E é necessario fazer isso.Buscar definir o territorio e as fronteiras de onde estamos.

Nao podemos definir as pessoas, mas podemos definir o conceito de BDSM.
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Medo

January 5, 2009

O medo é um sentimento misterioso, que nos envolve sutilmente e sem precerber se instala e vai crescendo,crescendo,crescendo, se ramificando, se aliando a outros sentimentos. O medo é esperto e competente. Tece uma rede de conexões e confortavelmente aguarda. Um momento qualquer seu gatilho é disparado e, sadicamente, brinca com a gente.

Se falamos de praticas BDSM, o medo é aliado e talvez mesmo a terceira figura numa sessão. Silencioso, ele espreita o momento certo para invadir e tomar a cena. Ele é parte do jogo, estando ou nao presente.

O tesão pode ser seu companheiro, nao inseparável, mas as vezes caminham juntos, o medo o chama e atuam juntos dominando a situação até que o medo, cansado, volta ao seu lugar e deixa espaço para o prazer.

O medo move ou paraliza, excita ou inibe, ele tem varias faces. Neste contexto ele atiça, instiga, empurra, força , dobra, domina. Ele desafia como quem diz: ” vai….vai lá…faz..ou nao tem coragem?!?” Ouço essa voz , como uma alucinação e vou, ah,sim, eu vou, de mãos dadas com meu medo, meu maior incentivador.

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