Archive for November, 2009

Pas des mots

November 26, 2009

November 26, 2009

November 26, 2009

Receita

November 24, 2009

Hoje me  dediquei a cozinha. Recolhi vários ingredientes, colhi alguns no jardim, outros os tinha na dispensa, outros comprei frescos no mercado. A receita é simples, antiga , passada por outras mulheres que vieram antes de mim, mas coloquei meu tempero. Cozinhar é sempre um ato de personalidade.

 

Sopa de mulher.submissa.mulher:

– um ramo de sonhos

– 5 colheres de fantasia

– 4 colheres de realidade

– 6 colheres de humildade

– 2 colheres de beleza

– uma xícara de desejo

– uma pitada de languidez

– 2 colheres de medo

– uma pitada de ansiedade ( mas pouca quantidade )

– tesão a gosto

– 3 colheres de metamorfose

– 2 xícaras de olhares interiores

– 4 xícaras de encantamento

– 5 xícaras de admiração

– uma pitada de expectativa, opcional.

– 6 colheres de reflexão

– 8 colheres de instintos

– 8 colheres de racionalidade

– 1 arquétipo descascado

– um eu profundo sem tirar as folhas

– um eu fresco

– um pacote de pensamento,

– 3 folhas de sentimento em pó

– um copo de sensações,

– 8 xícaras de intuição

– 8 xícaras de disponibilidade

– 3 colheres de amor proprio

– 3 colheres de amor ao outro

– 10 molhos de disposição

– 1 frasco de tranquilidade

– sal e açucar a gosto.

 Coloquei todos os ingredientes em uma grande panela com água , mexendo sempre até levantar fervura e continuei mexendo enquanto os ingredientes se dissolviam numa sopa. Enquanto a preparava, os ingredientes maturaram numa amálgama. Deixei cozinhar bem, em fogo brando, observando como cada um se dissolve em tempo diferente do outro e traz seu sabor, cor e textura. Minha sopa ainda ferve, é um processo lento.  Não está pronta nem confio em receitas, nunca dão certo . A sopa é um alimento que me mantem viva, com energia, disposição, disponibilidade. Vez por outra provo um pouquinho, sinto um gosto estranho.

Erotizada

November 13, 2009

 

 

 

 

 

giugno

Sonho ser gueixa dele, escrava dele

uma mulher que ele repudia

tomo café velho, sem açucar , aspirinas

me percorrem arrepios, suores noturnos

com grandes goles de gim.

porque sou doida

limpa clara erotizada

e gosto do cheiro dos homens e do mistério

dançam em volta de mim essas delícias

e me diverte o disfarce dessas máscaras

delírios e fantasias

perigosamente pervertidas.

Ele manda em mim e eu obedeço

mulher que nunca fui na vida.

 

bruna lombardi

Histórias para o Rei

November 9, 2009

Femme%20du%20M-A

 

Nunca podia imaginar que fosse tão agradável a função de contar histórias, para a qual fui nomeado por decreto do Rei. A nomeação colheu-me de surpresa, pois jamais exercitara dotes de imaginação, e até me exprimo com certa dificuldade verbal. Mas bastou que o Rei confiasse em mim para que as histórias me jorrassem da boca à maneira de água corrente. Nem carecia inventá-las. Inventavam-se a si mesmas.

Este prazer durou seis meses. Um dia, a Rainha foi falar ao Rei que eu estava exagerando. Contava tantas histórias que não havia tempo para apreciá-las, e mesmo para ouvi-las. O Rei, que julgava minha facúndia uma qualidade, passou a considerá-la defeito, e ordenou que eu só contasse meia história por dia, e descansasse aos domingos. Fiquei triste, pois não sabia inventar meia história. Minha insuficiência desagradou, e fui substituído por um mudo, que narra por meio de sinais, e arranca os maiores aplausos.

 

 

[de Carlos Drummond de Andrade, em Contos Plausíveis]

estou

November 8, 2009

nua

crua

na rua

sob a lua

TUA.art,b,w,erotic,female,femme,nude,urban-060b023e6da464ad07132e49dc081f63_m

Luz e Mistério

November 5, 2009

 

 

03437-lune-lumiere

Oh! Meu grande bem
Pudesse eu ver a estrada
Pudesse eu ter
A rota certa que levasse até
Dentro de ti

Oh! meu grande bem
Só vejo pistas falsas
É sempre assim
Cada picada aberta me tem mais
Fechado em mim

És um luar
Ao mesmo tempo luz e mistério
Como encontrar
A chave desse teu riso sério

Doçura de luz
Amargo e sombra escura
Procuro em vão
Banhar-me em ti
E poder decifrar teu coração

És um luar
Ao mesmo tempo luz e mistério
Como encontrar
A chave desse teu riso sério

Oh grande mistério, meu bem, doce luz
Abrir as portas desse império teu
E ser feliz

Composição: Beto Guedes / Caetano Veloso

November 3, 2009

Magritte LiaisonsdangeureusesLes

 

Eu me construo e ergo,

peça a peça

De saudade, vagar e reflexão..
.
.

Vitorino Nemésio, in Eu, Comovido a Oeste