Archive for July, 2010

Era hóspede, não moradora.

July 27, 2010

 

Estrangeira, não  serva  daquele  Reino.

July 27, 2010

 

 

 

Ele lhe  cedeu  uma  casa onde  ficar. Era  iluminada, perfumada. Poderia  ficar  o  tempo  que  Ele permitisse.

ana, a gafanhota.

July 27, 2010

O Dono do Sonho

July 24, 2010

 

Ele  tinha um  sonho, lindo  e  perfeito  como  os  sonhos  devem  ser. Acostumara-se  a ele, o  alimentara, cuidara, acalentara  durante  anos, era  seu, só  seu  sonho. O mais  bonito e  desejado  dos  sonhos. Ele  e  seu  sonho  atravessaram  o  tempo  numa  muda  companhia,  eram  parceiros nas  noites  escuras diante  do  mar.  Se  olhavam  em  silêncio, cúmplices, solidários nas  tempestades, caminhavam  juntos.

Ele  tinha  um  sonho que  o  fazia  menos  sozinho, que  o  tinha  mais  feliz, que  lhe  apontava  novos  dias  e  noites  eternas . Seu  sonho  trazia  pela  mão uma  mulher  linda,  de  olhar  dócil  e  sorriso  suave. Se  parecia com  a  moça  da  foto, a  de  cabelos longos  e olhar  de  amêndoas.

A  companhia  do  sonho foi  tornando-se  tediosa, cansativa,  aquele  vulto que o  acompanhava precisava  se  desgarrar,  ter  vida  própria. Caminhar  por  si.  Este  companheiro  calado  já o  incomodava, queria  conversas, risadas ,  choros, trocas.

Uma  noite  ele  olhava  o  mar, bebiam juntos, fumavam o mesmo  cigarro,ele  e  seu sonho. O  já  velho  ex  amigo, o  sonho, observava  calado, talvez  com  um olhar  de  ironia que  parecia  dizer:  Você  vai me  deixar  aqui  para  sempre?  Não, ele pensou. Era  hora  do  velho  sonho  ganhar  o  mundo, procurar sua  forma, ter  nome, idade, cheiro, pele.

Caminharam  juntos  até o  mar  e  num  golpe,  atirou  o  velho  sonho  às  ondas. Ele  seguiria mar  adentro, mergulharia, conheceria muitas  praias, ilhas, costões e  voltaria, novo, limpo, fresco de  vida.

A  cada  manhã, ele  corria à praia, apertava os  olhos e  procurava. Nenhum  sinal. Seu  amigo  ainda  não  voltara. Sentia  uma ponta  de  saudade  ao mesmo  tempo em  que  sentia a  esperança  lhe  preencher  os  dias de uma  forma  tão intensa  que  até doía.

 Um  dia ele  recebeu  uma  carta feminina que  dizia: “Tenho  seu  sonho. Agora  também é  meu.” Ele  mal  compreendeu as  palavras, sentiu-se  roubado, invadido,  traído por  seu  próprio  sonho  que o  abandonara e  juntara-se , mansamente,  a  outra  companhia. Escreveu  no  verso, uma  resposta:

“Devolva! Este  sonho é  meu !”.

 

 

 

 

 

ana.mmk

July 23, 2010

Quando a gente pensa que tem os pés fincados na Terra, eis que vem uma nave e nos captura.

Escorregadia

July 23, 2010

 

Ele vinha toda noite com jeito de homem-menino-homem, como não ver?
Como não oferecer o jeito de mulher-menina-mulher?
Como?

A voz da Billie escorria pelo quarto, a luz escorria pelas paredes, o cigarro me escorria pelos dedos e eu me escorria na  moldura.

July 6, 2010

 

tem coisa mais  adô ?