Boa leitura: Mestre Borg

Mestre Borg, hoje Sultão Borg, alguém com quem  aprendo muito.
“Buenas,
 
 
             Saio ao jardim e encontro a grama molhada, as folhas das plantas verdinhas, como se algum bálsamo quente e úmido trouxesse alívio à natureza seca e fria de antes de ontem.
 
              Encosto-me no pilar, acendo o cachimbo.  E acompanho no dispersar da fumaça, o exalar do aroma de paz e tranquilidade com cobertura de chocolate.  Será que um dia me proibirão esse prazer ?  Será que um dia meu pequeno e feliz planeta composto de lembranças da infância, gemidos de submissas entregues, sorvetes de flocos após o jantar, livros de filosofia e história, sonhos de casa no campo com amigos,livros, discos e nada mais… Será que meu planeta será invadido por algum alienígena a ditar regras sobre minha intimidade ? E serão vigiados e punidos todos esses momentos vividos , que também são fumados em pensamento, junto do tabaco ?
 
             Por entre-nuvens, um raio de sol escapa e ilumina o jardim…Ilumina as cores, relembra a beleza de uma pequena borboleta brincando no pólen, nas coisas simples e cotidianas, tão simples que são puras e belas. Mas a simplicidade do desejo pode se tornar refem de um constragimento ameaçador contra tudo o que é belo no BDSM.
 
             Somos todos seres humanos, pessoas comuns que têm suas fantasias, fetiches e desejos, muita disposição em realizá-los e vontade assumí-los como parte de nós. Dentro dessa perspectiva nasceram títulos que melhor definiam nossas fantasias, como imperadores rainhas, mestres, deusas, lordes, etc. Essas denominações ajudam a identificar o tipo de fantasia de cada um.  Mas quando foi que alguns realmente passaram a acreditar nisso  e passaram a se portar como Reis e Rainhas terríveis e inquestionáveis ?
 
             Chega ao jardim um…?sabiá ?..  Pula pela grama, pega um raminho que estava por ali..e sai voando rápido. Instintivamente, sei que aquele ramo seco e sem vida servirá na construção de um ninho. E sou preeenchido por um sentimento terno , convicto de que até o mais simples ramo deitado em um jardim é importante na teia da vida.
 
              Baforadas contemplativas…  Penso que antes de sermos Dominadores ou submissos, somos pessoas com uma história de vida, com sentimentos, com o direito de termos respeitadas nossas individualidades, de sermos igualmente considerados e principalmente, que deveríamos nos unir em um sentimento fraterno e compreensivo, uns pelos outros, pois compartilhamos o mesmo mundo BDSM.
 
             Esvazio o fornilho como em uma prece silenciosa pelo antigo, honrado, respeitado e amado mundo BDSM que um dia conheci. E sigo com o som de meus passos, fluente no mistério das coisas que não está no significado, está na existência.
 
             Nós existimos, somos milhares e não cedemos a pequenas ditaduras egocêntricas.
 
 
Abraços,
MESTRE BORG “
Postado em 28/09/07. NaçãoBDSM.yahoogroups.com 

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