Archive for the ‘hedonismo’ Category

O Dono do Sonho

July 24, 2010

 

Ele  tinha um  sonho, lindo  e  perfeito  como  os  sonhos  devem  ser. Acostumara-se  a ele, o  alimentara, cuidara, acalentara  durante  anos, era  seu, só  seu  sonho. O mais  bonito e  desejado  dos  sonhos. Ele  e  seu  sonho  atravessaram  o  tempo  numa  muda  companhia,  eram  parceiros nas  noites  escuras diante  do  mar.  Se  olhavam  em  silêncio, cúmplices, solidários nas  tempestades, caminhavam  juntos.

Ele  tinha  um  sonho que  o  fazia  menos  sozinho, que  o  tinha  mais  feliz, que  lhe  apontava  novos  dias  e  noites  eternas . Seu  sonho  trazia  pela  mão uma  mulher  linda,  de  olhar  dócil  e  sorriso  suave. Se  parecia com  a  moça  da  foto, a  de  cabelos longos  e olhar  de  amêndoas.

A  companhia  do  sonho foi  tornando-se  tediosa, cansativa,  aquele  vulto que o  acompanhava precisava  se  desgarrar,  ter  vida  própria. Caminhar  por  si.  Este  companheiro  calado  já o  incomodava, queria  conversas, risadas ,  choros, trocas.

Uma  noite  ele  olhava  o  mar, bebiam juntos, fumavam o mesmo  cigarro,ele  e  seu sonho. O  já  velho  ex  amigo, o  sonho, observava  calado, talvez  com  um olhar  de  ironia que  parecia  dizer:  Você  vai me  deixar  aqui  para  sempre?  Não, ele pensou. Era  hora  do  velho  sonho  ganhar  o  mundo, procurar sua  forma, ter  nome, idade, cheiro, pele.

Caminharam  juntos  até o  mar  e  num  golpe,  atirou  o  velho  sonho  às  ondas. Ele  seguiria mar  adentro, mergulharia, conheceria muitas  praias, ilhas, costões e  voltaria, novo, limpo, fresco de  vida.

A  cada  manhã, ele  corria à praia, apertava os  olhos e  procurava. Nenhum  sinal. Seu  amigo  ainda  não  voltara. Sentia  uma ponta  de  saudade  ao mesmo  tempo em  que  sentia a  esperança  lhe  preencher  os  dias de uma  forma  tão intensa  que  até doía.

 Um  dia ele  recebeu  uma  carta feminina que  dizia: “Tenho  seu  sonho. Agora  também é  meu.” Ele  mal  compreendeu as  palavras, sentiu-se  roubado, invadido,  traído por  seu  próprio  sonho  que o  abandonara e  juntara-se , mansamente,  a  outra  companhia. Escreveu  no  verso, uma  resposta:

“Devolva! Este  sonho é  meu !”.

 

 

 

 

 

ana.mmk

Líquida

January 7, 2010

 

Eu  gosto  do  rodopio
do  ar  frio
da  fogueira  viva
que  eu me  torno
quãndo  me  entrego
aos  sabores  amargos
aos  perfumes  baratos
aos  tons  rubros
da  rosa  que me  desabrocha
Bebo  tanto  do  teu  cálice
que  me  embriago
e  me faço líquida
cada  vez  que tua  espada 
me  rasga  as  entranhas
me  traz  coisas  estranhas
me  faz  sua
sem  querer.
  
ana.mmk

Conversas BDSM: síndrome da sub histerica

October 23, 2008
 

Noites e noites de conversas no msn com amigos e amigas de todos os lados do chicote e vai-se aprendendo muitas coisas, mirando-se em exemplos, ouvindo casos, confortando, ganhando colo, rindo de bobagens e por ai segue a “vida” msn-istica.

Dai que colocando tudo no liquidificador, a gente ve que surgem duas coisas: um liquido mais espesso em baixo, do povo que ta feliz, ta de boa e um mais liquefeito por cima do povo que ta indo.Eu to bem e to indo, depende do ponto de partida ou chegada. Do em relação a que. Antes de ontem estava a mil, animadérrima, ontem nem tanto e ai leio uma amiga: “isso é bem coisa de mulher”. Pois é, mulheres…..a gente tem uma compulsao pra falar, para argumentar, contar e na verdade nao se busca soluções é so ouvir e dizer: é, te entendo. Ta de bom tamanho, mas os homens nao são bem assim, tem a tal objetividade, se falam, querem soluções, se falamos querem dar tambem soluções ou covardemente se eximem delas sumindo, o que nao deixa de ser uma solução.

Ultimamente, tenho coisas na garganta que para alivio e deleite  s

ó meu, confesso, gostaria imensamente de dizer,nao importa a solução ( sou mulher ) , so quero falar, mas como o interlocutor é homem, me diz nem fale porque nao há solução. Mas nao quero soluções, ora. Sei busca-las sozinha, entre aspas, meus/minhas amigas que o digam.( aproveitando a oportunidade, obrigadao )

Mas a quest

ão é SM aqui e o assunto das conversas, também. Eu vejo esse espaço como um espaço franco, onde se pode quase tudo, quase, por que incluo coisas que nao caem bem, mas acho que nele tambem cabem ” coisas bonitas que eu acredito que não deixarão de existir: amizade, palavra, respeito, caráter, bondade, alegria e amor” e “não posso aceitar sossegada qualquer sacanagem ser coisa normal”  lembrando uma musica antiga.

Mas ainda que seja uma visao de mundo SM estilo Polyanna-Alice, nao sou nem uma nem outra e embora essas coisas bonitas tenham que existir ha outras menos bonitas que tambem precisam viver aqui dentro. Erros, m

ágoas, dor ( claro ), inseguranças, medos, jogadas, desprezos, exclusões sõa coisas que acontecem em qualquer ambiente, mas entendo que elas possam ser vistas e trabalhadas de outra forma. O que seria do SM se nao houvesse sentimentos que nao gostamos de lidar fora dele. Em outro contexto eles trazem outras emoções mas aqui,nao necessariamente.
Estou dando voltas, eu sei, mas ha a licença SM para nao ser tao legal o tempo todo. Eu acredito nisso.Carater blabla se tem ou nao tem, mas ha situações que são conflitantes, por carater dizemos a verdade e por estarmos nesse ambiente diferenciado, somos interpretados de outra forma, porque ha a prerrogativa do nao ouvir, das conclusões rápidas e das soluçõ
es relampago.

Quem ocupa o lado da ponta do chicote, esta em desvantagem sempre nessa quest

ão, porque tudo que dizemos éporque esta despeitada“, “por que ta interessada no Dono da outra“, “porque não é amiga”, “porque é histérica”, “porque é ansiosa”…Gente….ser submissa é tudo isso? A gente faz tudo por prazer, por tesão, se submete, se deixa levar nas situações mais “estranhas” porque conseguiu entregar-se a ela e a entrega é tao nobre…tao linda…a submissao nao deixa de ser uma bravura, uma quase virtude, ou nao? Porem, desde que, findo o “relacionamento” mantenhamos a boca fechada, porque em nenhum lugar vale mais a premissa de que “tudo que voce disser pode ser usado contra você “. Mas nao ha razão nem verdade. Esse manto da sub histerica abriga muita coisa indevida, mas sempre justificadas porque afinal “ela esta despeitada“, “ela quer ele de volta“, ” ela ta jogando“. Não. Convenhamos, isso é tedioso.

Somos adultos e fazemos “jogos” adultos, sabemos infrigir dor fisica e moral e suporta-las, logo, porque abafar os sons, calar as vozes ou insisitir que quem tem o poder ( mesmo qdo a rela

ção acaba ) tem a palavra final ou melhor o silencio magnanimo e final enquanto a submissa ( mulher !!! , no melhor estilo falante ) é nao consensualmente amordaçada e penalizada ao comentar ou extremamente inconveniente se quiser em algum momento uma DR ( discutir relação) mesmo depois dela morta.

Os r

ótulos , os prejulgamentos sobre o comportamento submisso ( e incluo aqui as masocas,alias nao estou distinguido ) são comentados a exaustao por ai, enquanto o dos Tops , chega-se ao máximo do com maiuscula ou com minuscula as vezes sem muita explicação do que significa. Mas esse nao é o ponto.

So acho que mulheres falam, verbalizam, poem pra fora e por vezes pouco importa a resposta e nem esta nisso a solu

ção, homens são mais contidos e mantem o estilo “nao vou falar disso” , mas cansa.( Confesso, li Homens sao de Marte e Mulheres sao de Venus rs).

Mas me incomoda porque sou mulher e verbalizo tudo, isso

é minha personalidade, por outro lado me incomoda ver relatos de situações exdruxulas em que alguem comenta: mas sera que ela nao fala isso por rancor? Sera que ela nao esta chateada porque ele nao a quis? Sim, pode haver rancor, chateações e dai? Expor isso publicamente depende do tamanho do salto que se usa. Armar barraco é questão de educação , mas falar, ao menos com “o interessado” como isso lhe pareceu ou atingiu, nao parece coisa de outro mundo.

Sempre se repete por ai que ha de haver di

álogo e eu me questiono, em que momento pode haver dialogos? Quando tudo vai bem,sim, depois que a relação acaba, nao mais, qualquer palavra é a sindrome da sub histerica.

O Tempo BDSM

July 31, 2008

 

O tempo é uma variante curiosa.Muito curiosa. Ha tempo pra tudo e ,como estou num tempo e num espaço BDSM, o que posso falar sobre o tempo    BDSM…que ele é  ímpar, é diferente, transcorre  lentamente…..

Um mês nao é nada, um ano coisa alguma. É como uma capsula inclausurada num tempo e num mundo maior. Os dias correm com languidez, com preguiça. Há de se ter muita  paciência a mesma que nao temos nos relacionamentos baunilhas, no dia- a- dia do trabalho. Uma calma que nao esta nos engarrafamentos, nas filas, nas esperas.

Aqui o tempo é outra dimensão. Passa moroso, quase nao querendo passar, ele  retarda os  relógios do dia.

Tudo tem seu tempo. parece jargão, mas não aqui. Tudo de fato tem seu tempo de amadurecimento, de  espera , de  estar  pronto, de estar  completo. O tempo nao conta , o tempo nao passa.

Ele aprisiona, é o verdadeiro Senhor. O Dono que dobra as expectativas, os  quereres, as vontades, o Tesão. Ele que transcende os limites da razão, da modernidade, da vida lá fora. Ele  sim, é o verdadeiro Senhor de nossas vontades, voluntarioso,poderoso e arrogante.

C´est le temps perdu….de ces amours là….le temps qui reste

Recado

June 18, 2008

 

Não me olha assim

porque eu sou forte.

Sou o que quero ser

e sei o que quero de você.

Me atiça como fêmea

porque você é um macho

e eu quero tua virilidade,

tua violencia,

o peso da tua mão,

a força do teu instinto.

Eu quero que me vença,

que me violente,

que rasgue minha pose de seria,

que me arrebate,

me tire o tapete,

me ponha no espelho

e me mostre nua.

Que destrua minha sensatez,

que devaste meu centro,

que corrompa meus valores.

E não me chame de puta

porque e muito pouco.

ana.mmk

Sádico?

June 18, 2008
Chicotes que rasgam a carne
algemas que aprisionam
lâminas que retalham
chamas que ardem
 teu sadismo nao me assusta
me amedronto a mim mesma
 a dor é solidária
os desafios são meus
 a permissividade é minha
como a dor tambem
 o olhar de um sadico chama
 mas sou eu que me arrebato.

 

ana.mmk

Reestréia

June 9, 2008

Recuperei a senha…ufa !

Bom,  minha apresentação anterior já passou….

A fila anda, o mundo roda, um dia vem depois do outro, depois do outono vem o inverno, depois  a primavera…e por ai e  eu tambem.

Não mudei, mas o  que esta em volto mudou  um pouco.

Mais  vivida, mais clarezas e menos certezas. Nada mais instigante do que nao ter certezas na vida, nem fórmulas, nem  padrões, só ser o que se é e seja lá o que for.

Esse blog  nasceu faz um tempinho, morreu e ressuscitou das cinzas, qual fênix. E graças a insistência de uma amiga.

Ele nao tem muita direção por enquanto, é um olhar somente, o meu olhar e de meus amigos, por que não pensem , os amigos, que vou estar aqui sozinha, ao menos a seção ” Eles falam…” vai ter . Nada como trabalho em equipe mesmo que a equipe nao saiba.

Mas  olhando ali pelo meu telescópio, o foco está no  BDSM e no que esse planetinha tem de bom , me diz de gostoso, me faz sentir  prazer , me faz trangredir, me sentir plena  e me inquieta e  acolhe a alma. hum…

Não  tenho muita intimidade com  as palavras, nao escrevo poesias, nao escrevo  contos, nem esaios, só mesmo minhas observações e sentimentos.

Agradeço a paciência de quem o ler mas ele é meu caderninho de campo, caixinha de  memórias, album de figurinhas, coleção de borboletas, canastra  da Emília …ih..fui longe.

 Bom dia,então.

Ver, sentir e estar no mundo

October 22, 2007

cabelos-ao-vento1.jpg

Olá.

Esse espaço é reservado. Mas pode ser visto através de  lentes especiais que nao julguem  só direcionem o olhar.

Estou no mundo e faço parte dele por que vivo nele, o vejo e o sinto. Minha maneira de viver nesse cantinho do mundo é especial.  É intensa, é forte, é ávida, é apressada.  É ver, sentir e descobrir. Me descobri muitas coisas nos ultimos tempos. Além da mulher que sempre fui, feminina, inteligente, ousada, fraca e forte, medrosa e corajosa, me descobri mais minha, sentindo mais o que quero e o que nao quero.

Fases experimentalistas, sensitivas, atentas me ajudaram a enxergar que sou hedonista por princípio, submissa por desejo, fetichista por prazer.

Hoje estou submissa à Alguém que soube me ver , me sentir e estar comigo. Não me viu como um objeto qualquer em uma prateleira, não me escolheu pelo padrão, mas pelo que tenho de meu, por minhas especificações e pelo codigo de barras único.

Não quero me encaixar em padrões, não quero ser o que nao sou, me tranfigurar em algo para agradar ninguem, agrado a mim antes de tudo e daí  vêm bas experiências, trocas, relacionamentos e convívios.

Sou isso e estou no mundo para ve-lo e senti-lo da melhor forma que consigo. Certa ou errada nao importa muito, importa que faço comigo e de mim o que acredito ser o melhor.

Bom, espero ter tempo para alimentar meu blog, colocar coisas que me tocam, que me pareçam interessantes, que me permitam linkar com  um universo mais amplo, mas do meu cantinho, do olhar limitado de meu telescópio vejo uma parte do universo e vejo que sou parte dele.