Medo e Prazer ( conto )

 

Medo, Desejo e Prazer: O Começo de Uma História

ana.mmk e Sr.Terapeuta

junho 2006

Ela entrou ofegante no carro e ligou o motor apressada.O coração batia rápido, a respiração curta e sua cabeça girava num turbilhão de sensações. Sua mente flutuava entre fantasias, fantasmas e realidade. Medo, ansiedade, prazer, desejo,dor, incerteza e a sensação de que saíra de um sonho. Respirou fundo, ligou o motor, mecanicamente acendeu um cigarro e ligou o som, mas não ouvia a música. Não conseguia definir o que sentia. À medida que fumava, foi relaxando um pouco e olhou ao redor. Não tinha noção das horas, mas uma claridade mostrava que o dia não tardaria a amanhecer. Pelo retrovisor olhou a casa escura. Aquilo não era real, pensou. Finalmente tomou o caminho estreito que a levou a uma estrada de terra. Confusa não conseguia definir o que sentia nem avaliar o que aconteceu. Foi sonho, foi loucura, foi fantasia que não sabia definir como boa ou ruim.

Rapidamente chegou a estrada principal e sentiu o carro deslizar sobre o asfalto. Parecia que voltava à realidade aos poucos, no fim daquela estrada, estava o mundo, o seu mundo e era boa a sensação de voltar para ele mas ao mesmo tempo não sabia se aquilo voltaria a acontecer. Vez por outra esfregava os pulsos doloridos e sentia arder as costas, as pernas, o sexo, o corpo todo latejava… Acendeu outro cigarro, enquanto percorria a estrada deserta pensava como tudo começou de um modo tão infantil e sem importância. Jamais lhe passou pela cabeça o que poderia acontecer, mas aconteceu.

Numa rede de amigos da internet, um homem lhe enviou um e-mail simpático. Respondeu, pensando não haver mal algum, era tão comum, ouvia tantas histórias. Os e-mails se multiplicaram, os assuntos se desdobraram e não lembrava bem como nem porque começaram a falar sobre sexo. Mas sempre acreditou que não havia outra intenção nisso a não ser falar de fantasias. O tempo passou, foram muitos e-mails , telefonemas, risos, brincadeiras e ele falava de suas preferências, suas fantasias. Despertaram-lhe curiosidade, uma certa vontade de conhecer algo desse mundo mas sempre deixou claro que não era sua opção. Agora pensava, como fora tola. Ele a envolveu, caiu na sua armadilha ao ponto de ter ido aquele lugar. Jamais contaria a alguém o que acontecera, quem conhecera, mas sabia que no fundo, queria que houvesse outras vezes.
Depois de quase um ano de conhecimento , ele era alguém confiável, sabia onde trabalhava, onde morava, tinha seus telefones de casa, do trabalho, celular, encontrava-o sempre que o procurava onde dizia que estaria. Partiu dela a sugestão de se conhecerem, conversar pessoalmente, afinal, acreditava que se conheciam tanto…Agora percebia o quanto ele se empenhou em ganhar sua confiança. Ele dizia que eram amigos especiais e que podiam se encontrar de uma forma especial. A idéia pareceu estranha num primeiro momento, mas ao mesmo tempo ,desafiadora e divertida.
Sim, poderiam. E ele nunca marcava o encontro nem aceitava suas sugestões, agora percebia o jogo.

Enfim ele ligou marcando o esperado encontro para o dia seguinte, mas, avisou que seria algo diferente e inesquecível para ambos. Ela concordou. Na manhã seguinte, recebeu uma mensagem no celular, pedindo-lhe que fosse de carro até São Pedro e parasse na praça principal. Ele estaria lá.

Ela passou o dia ansiosa, não estava interessada nele mas sabia que havia a possibilidade de uma transa. Aquelas conversas todas construíram um desejo. Pensou no que usar para parecer sensual sem ser vulgar, sem ser explícita, adorava o jogo de sedução. Riu para si mesma, fora muito infantil e sentia vergonha de ter se envolvido nisso mas rapidamente se lembrou do prazer, do gozo, relutava em admitir o quanto fora bom e prometeu jamais repetir a experiência. Estava muito confusa.

No dia e no horário combinados chegou à São Pedro. Uma pracinha bucólica, um bom lugar para um encontro. Estacionou o carro e olhou a sua volta. Achou que estivesse adiantada, nenhum outro carro, ninguém parecia a pessoa que esperava. O celular tocou, era ele, com sua voz amigável de sempre, dizendo que estava lá, mas que não iriam se ver ali. Parecia um menino chamando para brincar. Ela riu. Ele pediu que chegasse ao fim do asfalto e entrasse em uma estradinha de terra. Acabara de anoitecer, a estrada estava escura. Assim o fez e não viu ninguém seguindo-a, nenhum carro. Pensou como ele poderia ter estado na praça e agora estar acompanhando-a a outro lugar. Começou a sentir medo mas ao mesmo tempo achava ridículo, era só uma brincadeira. Seguiu o caminho. O celular tocou, havia uma mensagem, mandava que seguisse por 1km e veria à direita um portão de madeira escura em meio a uma cerca viva, o portão estaria aberto. Seguiu o caminho e sentia que a situação era estranha mas acreditava estar sob controle. Agora pensava como fora tonta, sem juízo, como se embrenhar num lugar tão deserto com alguém que jamais vira. Mas chegou ao portão , entrou por um caminho de pedras que levava a um pátio gramado em frente a uma bela casa de campo. Parou o carro e buzinou. Ligou para ele que não atendeu. Não havia ninguém e já era noite, nenhuma luz, nenhuma janela aberta. Começou a sentir medo e se fosse um assalto? Um maníaco? Pensou em voltar quando o telefone tocou, respirou aliviada, ele disse que estava lá e ela lhe falou de seu medo, perguntou o que estava acontecendo, ele a tranqüilizou, só estamos brincando, só para ter emoções. Ela se acalmou. Ele pediu que descesse do carro. Ela obedeceu e ficou esperando a porta da casa abrir, os minutos se passaram, parecia uma eternidade, ligou de novo e mais uma vez ele não atendeu, estava ficando nervosa e irritada, com medo. Pensou em ir embora. Ligou de novo para ele que dessa vez atendeu com uma voz tranqüila e encorajadora. Parecia tudo tão normal, ele riu e falou que não era aquela casa, ela argumentou que não errara o caminho e perguntou onde estava. Ele disse que podia vê-la e que ficasse calma. Pediu que fosse ao fundo da casa e seguisse o caminho de pedras até a piscina. Ela imaginou que ele estivesse na piscina esperando-a e uma sensação boa atravessou seu corpo. Percebeu que estava excitada…um encontro ao luar, a beira de uma piscina, torceu para que ele tivesse trazido algo para beber.A noite estava agradável e seria um encontro realmente marcante. Animou-se e seguiu o caminho. Não havia luz a não ser o luar que iluminava a paisagem. Vislumbrou a piscina à frente, foi até o quiosque da piscina esperando finalmente vê-lo, mas não havia ninguém. Olhou para os lados, nada aceso, a casa lá em baixo parecia sombria, toda escura. Percebeu que o jardim era bem cuidado. Pensou que estava sendo tola, que era um jogo e ele apareceria. Sorriu e permaneceu no quiosque. Reparou que ao fim da piscina havia uma ladeira que enveredava por uma pequena mata com árvores altas. Esperou ali e nada. O celular vibrou, outra mensagem pedindo que subisse a ladeira ao fim da piscina. Imediatamente ligou para ele que mais uma vez não atendeu. Pensou em voltar, mas queria muito chegar ao final, ver o que aconteceria. Obedeceu, subiu a ladeira e passou pela pequena mata de árvores altas. O coração batia forte, mas era irresistível não prosseguir. Ao fim da mata viu-se diante do vulto de uma construção. Parecia um casarão abandonado, todo escuro. Outra mensagem,mandando-a entrar na casa. Ela sorriu e entrou, a casa estava abandonada, as paredes pareciam estar no tijolo, era antiga. Havia madeiras encostadas pelos cantos, janelas abertas por onde entrava alguma luminosidade. Acostumou a vista e enxergava vultos de algumas poucas mobílias. Entrou numa sala e foi vislumbrando portas, continuou andando e vez por outra esbarrava em alguma coisa. Assustou-se depois de percorrer todo o andar inferior e ligou para ele. Ele atendeu, ela não queria parecer assustada mas o pressionou, estava boa a dose de suspense, perguntou onde estava. Ele respondeu aqui em cima e desligou. Ela havia visto uma escada e no escuro mal conseguia enxergar o final dela. Ligou o celular para usá-lo como lanterna. Foi subindo com cuidado, havia muitas caixas e pedaços de madeira pela escada. Chegou a um corredor comprido e percebeu que havia várias portas e lá no final, uma luz tênue saia de um dos cômodos. Dirigiu-se apressada para lá, queria vê-lo logo e achava que ainda ririam muito dessa história. A porta estava entreaberta e quando ela a empurrou para entrar, a luz se apagou. Estava muito escuro. Sentiu que havia alguém, ele estava lá. Chamou-o, ele não respondeu.

Sentia a presença de alguém, talvez no canto do quarto, parou para acostumar a vista e chamou-o novamente, nenhuma resposta. A essa altura seu coração disparou e sentia a adrenalina em suas veias. Não conseguia perceber direito o que havia no quarto, lembrou de thrillers de suspense, não podia estar acontecendo, mas por outro lado, era como se fosse a mocinha de um desses filmes. Sentiu alguém tocá-la no rosto. Gritou de susto e de alívio. Falou com ele e ouviu um psiu, pedindo silêncio. Ele começou a passar as mãos delicadamente pelo seu rosto como um cego que tenta adivinhar as feições do outro. Ela abraçou-o e sentiu um homem, alto, forte, também o tocava. Deslizou a mão sobre seu corpo, estava nu. Sentiu que estava excitado e ele também percorria seu corpo com as mãos. Estava extremamente excitada, sentiu todo o corpo dele, seu rosto, sua cabeça raspada, começou a explorar com a boca, sentindo-lhe o gosto , sempre em silêncio. Ele abriu seu vestido e com dois toques nas alças, ele caiu a seus pés. Ela deixou cair a bolsa que ainda segurava. Sentiu suas mãos sobre seus seios, suas costas, seu pescoço, encostou seu corpo ao dele e sentiu o quanto o desejava. Beijaram-se, as respirações ofegantes, estava absolutamente louca de desejo e pensou como fora boba, aquela seria uma transa inesquecível. Ele mordia seu pescoço, passava a mão por seus cabelos puxando-os de leve junto à nuca.

Ele colocou as mãos por baixo de seus joelhos e suspendeu-a, ela agarrou-se a ele que deu alguns passos e colocou-a sentada sobre o que lhe pareceu uma mesa. Envolvendo-a, empurrou levemente seu corpo para trás, ela deitou-se pensando em senti-lo. Ele veio, beijou-a debruçando-se sobre ela, seus corpos se tocando, levemente ele segurou suas mãos e esticou seus braços para o alto. Ela sentiu que algo as prendera, percebeu que ele a algemara na mesa. O susto só aumentou seu desejo. Estava louca para senti-lo mais.Ele foi escorregando por sobre ela, beijando-a e descendo com a boca por seus seios, seu ventre, ela abriu as pernas para deixá-lo ir ao seu sexo, mas ele parou e rapidamente puxou suas pernas e sentiu que em segundos seus pés também estavam presos.

Ele parou imediatamente, ela assustou-se, viu-se presa, nas mãos dele. Ele saiu de perto dela e acendeu as velas de um candelabro no outro canto do quarto. Pode ver seu rosto, absolutamente impassível, frio. Sobre a mesa alguns objetos que não conseguia distinguir. Ela perguntou o que ele iria fazer agora, tentou descontrair e ele mais uma vez pediu silencio, pegou uma tira de pano e caminhou lentamente até ela. A mistura de medo e desejo era boa, mas ao mesmo tempo, a deixava confusa, o medo logo superaria o desejo, ela pensou. Ele levantou sua cabeça gentilmente e amordaçou-lhe.
Ele caminhou lentamente até a mesa onde estava o candelabro, ela acompanhava-o com o olhar. Estava em pânico. Ele enfiou sua mão máscula em um recipiente e tirou algo de lá. Um frio correu-lhe a espinha, o que seria, procurou se acalmar ao mesmo tempo que a excitação a sufocava. Ele deslizou suavemente sua mão sobre seu corpo. Sentiu algo frio e molhado, gelo. Sua mão percorria o espaço entre os seus seios, os bicos, desceu sobre seu ventre, subiu novamente até seu pescoço, um rastro gelado e molhado a fazia tremer sem distinguir se de surpresa, frio, excitação ou medo. Sentiu que seus mamilos endureciam e uma onda de prazer molhou seu sexo. Ele brincava com ela, ao mesmo tempo em que suavemente fazia o gelo deslizar sobre seu corpo em partes inesperadas, olhava-a de modo intrigante e frio. Debruçou-se sobre ela, acolheu o bico de um de seus seios na boca. Beijou-o, lambeu, chupou, puxou, mordeu levemente e depois um pouco mais forte. Estava tonta, com medo, prazer e desejo de entregar-se ao jogo e vontade de ir embora. Dividida, suas fantasias tornavam-se quase palpáveis, imaginava o que viria depois e assustava-se com o que acontecia.

Ele escorregou a mão até seu sexo, ela sentiu o gelo frio e úmido derretendo-se, misturando-se a seus fluídos, contrastando com a quentura de seu corpo. Estava entregando-se a loucura do prazer. Viu-o colocar o gelo na boca e debruçar-se sobre seu sexo, sentiu sua língua percorrendo todo ele, gelada, fria, úmida. Uma onda de excitação percorreu seu corpo, estava prestes a explodir. Como que percebendo o que seu corpo queria dizer, ele parou de repente. Ergue-se e sem dizer uma palavra, soltou suas mãos e seus pés e tirou-lhe a mordaça.
Ela estava atônita, não sabia o que fazer. Seu impulso foi levantar-se e abraçá-lo, mas, ele afastou-se e com uma voz seca, disse-lhe que podia ir embora se quisesse ou ficar o que significaria que estaria consentindo em continuar o jogo. Ela perguntou o que queria dizer, ele recuou ficando junto à janela, em silêncio. Via o brilho de seus olhos, ela levantou-se e lhe perguntou o que era aquilo tudo, o que ele iria fazer, que jogo estavam jogando, o que deveria consentir. Seu silêncio a enervava. Começou a gritar que ele era louco, que o joguinho tinha ido longe demais e sentia que ia perdendo o controle. Sentia-se frustrada pela sessão de sexo interrompida ao mesmo tempo em que desejava continuar. Mas era tudo tão confuso, afinal que tipo de homem seria aquele. Ele nada dizia. Ela concluiu que o mais sensato a fazer era ir embora, não assinaria uma carta em branco deixando-o fazer dela o que quisesse. Levantou-se foi até o meio do quarto onde vislumbrou a sombra de seu vestido caído no chão. Pegou-o e esperou que ele dissesse alguma coisa ou parasse com o teatro. Mas o silêncio pesava na sala. O tempo parecia parado. Ficou imóvel um segundo e decidiu ir embora. Estava entrando numa fantasia louca que sequer era a dela e sentia-se traída, frustrada, enganada. Deu alguns passos em direção a porta com o vestido nas mãos. Parou novamente, precisava pensar rápido. Por instantes lembrou de tudo que não se permitira fazer, do quanto fora reprimida por si própria e pelos outros, percebeu nitidamente sua vontade em ficar e entregar-se uma vez aos seus desejos de um modo real e concreto e por que não colocá-lo nas mãos de outro. No entanto, pensava, quem era aquele homem, pensou conhecê-lo mas via que não. Seus pensamentos passavam velozes, ela o conhecia, aquele amigo gentil, brincalhão e carinhoso por tanto tempo não poderia ser um monstro. Ele parecia disposto a esperar sua decisão pelo tempo que ela quisesse. Voltou-se para ele e pediu para conversarem. Ponderou que estava assustada, que não esperava por aquilo, mas que confiava nele. Não houve resposta. Irritada começou a gritar o que ele queria, ele mantinha-se em silêncio. Sentiu-se ridícula, seus pensamentos eram contraditórios, sentia uma luta interior entre entregar-se a uma aventura de intenso prazer, tinha certeza que seria intensa ou desistir e voltar frustrada tinha que admitir. Ficou parada por alguns minutos e não acreditou nas palavras que pronunciou, como se outra pessoa falasse por ela, disse-lhe que poderia fazer o que quisesse, queria continuar o jogo. Olhou-o e pareceu ver um leve sorriso em seus lábios. Caminhou em direção a ele buscando um abraço, uma acolhida, mas quando estava próxima, ele segurou suas mãos com delicadeza e conduziu-a até o parapeito da janela. Ele estava às suas costas e não soltava suas mãos. Foi beijando-lhe o pescoço, mordendo cada vez mais forte, ela sentia a barba por fazer arranhar-lhe a pele. Seus dentes apertavam hora forte ora levemente sua nuca, seus ombros, suas costas. Ele aumentou a intensidade das mordidas ao mesmo tempo em que empurrava seu corpo para frente. Ele pressionou-a com força, de modo que seu corpo arqueou-se ela estava com o rosto no parapeito, totalmente apoiada sobre ele. Ele parou e mandou que permanecesse assim. Ela ergueu os ombros para levantar-se mas ele soltou-lhe uma das mãos e empurrou-a de volta para o parapeito. Ouviu sua voz fria dizer-lhe que não, ela havia consentido, estava comportando-se mal. Foi quando ela ouviu o barulho e junto a dor ardida de um tapa em suas nádegas. Soltou um grito de dor e susto.Ele apenas disse não. E continuou a bater-lhe cada vez com mais força, cada vez com mais barulho, sempre mantendo uma de suas mãos presa a dele. A cada pancada a dor se renovava e ela gritava ao mesmo tempo em que sentia medo, pois a cada grito o próximo golpe era pior. Sentiu-se humilhada e cada movimento que ele pressentia que ela faria, os golpes eram mais vigorosos. Ela percebeu o jogo e calou-se. Lágrimas escorriam de seus olhos, cerrou os dentes e manteve-se calada. Percebeu que os golpes foram diminuindo de intensidade, mas estava dolorida e machucada. Por fim ele parou. Acariciou seus cabelos, enfiou seus dedos entre eles em sua nuca e puxou sua cabeça, levantando-a para beijá-la. Seu beijo era intenso, sua língua passava por toda sua boca, sentia que se desejavam. Ele encostou seu rosto ao dela e pediu que ficasse como estava. Ela obedeceu. Ele afastou-se e foi até o fundo do quarto em silêncio. Voltou, pegou-lhe uma das mãos e com um pedaço de corda envolveu seus pulsos, um de cada vez e amarrou um a cada ponta da janela. Estava presa novamente. Ele postou-se atrás dela e começou a acariciar-lhe gentilmente as costas com as duas mãos, firmes e ao mesmo tempo delicadas. Suas mãos deslizavam por suas costas, seu ventre, seus seios, dando-lhe prazer e ao mesmo tempo fazendo-a relaxar. Não tinha noção do tempo, parecia que o tempo parara, estava deliciando-se e cada mais excitada.Por fim ele pediu que afastasse mais suas pernas. Ela o fez instintivamente. Sentiu suas mãos acariciar-lhe o sexo ao mesmo tempo em que ela procurava empinar seu corpo para trás, insinuando o que queria e o que imaginava que ele iria fazer. Seu sexo rijo encostava-se a suas coxas. Sentia que ele iria penetrá-la. Sentia vergonha de estar tão molhada, tão excitada mas queria muito que ele a penetrasse.
Sentiu sua mão massagear suavemente seu sexo, seus dedos o exploravam vagarosa e delicadamente, mais uma vez a excitação era tamanha que sentiu que ia explodir, ele também percebeu e repentinamente parou. Sua respiração ofegante e seus gemidos de prazer também pararam, forçou seu sexo contra as mãos dele, mas não estavam mais lá. Deu-se conta do jogo. A cada vez que estava quase chegando ao êxtase, ele parava.Não queria que ela gozasse.Então ele começou novamente, passou a mão levemente entre seus grandes lábios, massageou-lhe o clitóris e gentilmente introduziu um dedo em sua vagina. Ela mexia seu corpo sedento empurrando-o para dentro, ele introduziu um segundo, um terceiro, todos os dedos, os tirava suavemente e os introduzia novamente com força, repetidas vezes, girando-os até que conseguiu introduzir todo seu punho. Ela assustou-se, era desconfortável, mas prazeroso ao mesmo tempo, ele girava sua mão para um lado e para o outro. Ela mexia suas ancas e sentia imenso prazer nisso.

Ele percebeu que não faltava muito para seu gozo, tirou a mão de uma vez e no mesmo instante, posicionou-se e ela sentiu que ele enfim a penetrava, por trás. Sentiu dor, ela não estava acostumada a fazer sexo anal, doía e ardia, mas ele parecia não estar preocupado com sua sensação, começou um interminável vai e vem, entrando e saindo às vezes com doçura às vezes com vigor. Ele foi aumentando a força da estocada gradativamente, e cada vez mais rápido. Seus corpos balançavam para frente e para trás num ritmo frenético.Segurava seus quadris com força e empurrava seu corpo. Aos poucos ela foi se acostumando à medida que relaxava e deixava-se levar pelo prazer. Ela percebeu que ele também não iria gozar agora e imaginava o que ele teria mente como desfecho para o desejo contido até ali.

Repentinamente ele parou, nenhum dos dois chegou ao final, afastou-se dela e ela ouviu seus passos até o canto do quarto. Não ousava mais perguntar nada, não falaria mais. Apesar de sentir medo ainda, estranhamente ia sentindo confiança nele.Ele queria dar-lhe prazer, mas de uma forma diferente e sentia prazer nisso. Ouviu seus passos de volta, sentia novamente seu membro roçar-lhe as coxas. De repente, sentiu algo quente em suas costas, um pingo, algo assim. Sentiu o cheiro de velas, ele estava pingando parafina em suas costas, algumas gotas eram mornas outras mais quentes, o que a excitava era a surpresa, não chegava a sentir dor, mas a expectativa do que viria depois e da intensidade da próxima gota. Ela fechou os olhos e soltava um gemido de surpresa e prazer a cada um que ardia sobre sua pele.

Sentia seus pulsos doloridos e o corpo cansado pela posição, mas ele continuava. Como tudo que fez, ele começava algo e repentinamente parava sem uma palavra. Ouviu novamente seus passos se afastando dela. Pensou o que ele traria agora. Estava entregue aquele homem, de corpo e alma, não havia mais luta em seu interior, seu prazer estava nas mãos dele e ele sabia como fazê-lo. Jamais imaginaria que participasse de uma sessão sado masoquista muito menos com um desconhecido e sem aviso prévio, mas era difícil admitir para si própria que era prazeroso, sensações que jamais sentiria com outros homens. As transas carinhosas e sensuais pareciam distantes e pouco vibrantes diante dessa experiência.

Enquanto sua mente divagava com esses pensamentos, sentiu uma chicotada em suas costas. Soltou um grito de dor e surpresa. Depois outro e outro e mais outro. Eram fortes, mas percebeu que ele também não usava toda a força de seus braços. Mas sentia doer e não entendia o porque, seria um castigo ou aquilo simplesmente o excitava. Já havia visto filmes pornô ou lido contos sobre sado masoquismo, era um jogo entre as pessoas, porém plenamente consentido, ela lembrou-se de que dera consentimento. Começou a retorcer seu corpo a cada vez que o chicote de couro estalava sobre ele, sentiu que ele aumentou a intensidade e lembrou-se dos tapas. Calou-se, engoliu em seco e concentrou-se em suportar os golpes como se eles não a incomodassem. Ele parou.

Ele soltou suas mãos, levantou-a e colou seu corpo as suas costas. Suas mãos eram agora carinhosas e percorriam todo seu corpo, jogou seus braços para trás e tentou acariciá-lo também, delicadamente, ele empurrou seus braços de volta. Não queria reciprocidade, queria fazer o que quisesse. Sentia sua respiração ofegante também junto a seu ouvido, seus beijos em sua nuca, sua língua percorrendo seus ombros, as costas. Sentia uma onda de excitação percorrer seu corpo e uma vontade louca de virar-se e por fim deixar-se penetrar com força, vigorosamente, mas sabia que ele o faria quando achasse que havia chegado o momento.

Ele abraçou-a e foi conduzindo-a lentamente até a mesa em que estivera antes, insinuou que deitasse. Ela deitou-se ansiosa. Ele debruçou-se sobre ela beijou-a com vontade e energia, sentia sua língua percorrer toda sua boca, passar pelos seus dentes. Num impulso abraçou-o puxando-o para junto dela. Ele soltou-se e voltou à mesa no fundo do quarto. Trouxe uma venda escura nas mãos, chegou perto dela e seus olhos se cruzaram por uns instantes, seu olhar a dominava. Fechou os olhos e sentiu que ele colocava a venda sobre eles. Dessa vez ele não a amarrou, mas afastou suas pernas, sentiu que introduziu algo redondo e frio em seu sexo. Em seguida sentiu sua boca, sua língua passeando sobre ele e introduzindo-se lá. Ele buscava com a língua o objeto que havia introduzido, a sensação era maravilhosa, uma caçada excitante ocorria dentro dela.Controlava-se para não gozar, participava do jogo. Mas era difícil. O prazer era enorme e sentiu que algo deslizava de dentro dela e que ele o pegara. Ele retirou-lhe a venda e viu uma cereja entre seus lábios, brilhante, molhada.Ele encostou sua boca na dela e ela segurou a cereja entre os dentes, tinha seu gosto. Ele mandou que ela a comesse, ela obedeceu e sorriu. Ele devolveu-lhe o sorriso, afastou-se e saiu do quarto.

Ela permaneceu imóvel. Esperou que ele retornasse mas os minutos foram passando e ele não voltava. Sentou-se e atônita, pensou se ele teria ido embora. Ficou algum tempo sentada, levantou-se e caminhou pelo quarto. Foi até a porta e olhou pelo corredor, ninguém. Nenhum ruído. Seu corpo estava dolorido. Ocorreu-lhe que caso voltasse talvez não gostasse de vê-la perambulando pelo quarto, mas queria saber o que havia ali, a luz era muito tênue, foi até a mesa do candelabro e viu o pote com gelo que já derretia, algumas cerejas sobre a mesa, duas facas grandes e um pote fechado. A visão das facas estremeceu seu corpo. Pensou até onde tinha ido e o que poderia ainda acontecer. Viu-se em perigo e não hesitou, buscou rapidamente o vestido e a bolsa no chão e foi com passos rápidos e firmes para a porta, sequer se vestira, tinha pressa de sair dali. Quando entrou no corredor viu-se diante dele. Seus olhares se cruzaram e ela estava em pânico, tentou correr, passar por ele, mas ele agarrou-a com força pelo braço puxando-a de volta para o quarto. Ela começou a gritar , ele não fazia esforço para calá-la. Ele a apertava entre os braços e ela gritava e esforçava-se para se soltar, mas ele era um homem forte. Por mais que ela fizesse força para livrar-se dele, não conseguia. Ela lutava para libertar-se em vão. Ele empurrou-a para o chão e jogou seu corpo sobre ela imobilizando-a totalmente. Ela fazia força para sair, mas não conseguia. Ele era forte demais e ela estava em pânico.Ele enfiou um dos joelhos por entre suas pernas, forçando-a a afastarem-se. Ela resistia, mas percebeu que ele tentava penetrá-la. Era o que mais desejava, mas por outro lado lembrava do brilho das facas sob as velas. Ele forçou e por fim seu membro rijo ocupou todo o espaço de seu sexo. Ele dava estocadas fortes e tirava lentamente. Ela não lutou mais, deixou que a possuísse e ele o fazia com força, vigorosamente. Seus corpos agora uniam-se no mesmo ritmo, louco , alucinado. Ela gozou uma vez e ele continuou até que mais outra vez ela explodiu de prazer. Parecia que não teria fim, entregou-se totalmente àqueles movimentos e à sensação boa de um sexo arfante, vigoroso, arrebatador e selvagem. Sentia o cheiro de sexo envolvê-los e isso só aumentava seu desejo. Até que os dois explodiram juntos num prazer incontido e intenso. Ele soltou seu corpo sobre o dela, a respiração forte, parecia cansado também. Ela abraçou-o e passou a mão carinhosamente por sua cabeça. Ele levantou-se sem dizer uma palavra e sumiu na escuridão do corredor.

Ela permaneceu no chão junto à porta. Sua cabeça girava, sentia um torpor pelo corpo e finalmente começava a relaxar, estava cansada, suada, dolorida mas satisfeita. Tinha vontade de aninhar-se ali mesmo e descansar, pensar em tudo aquilo. Ficou um tempo parada , seus pensamentos divagando, parecia um sonho, uma loucura mas não o era, seu corpo a lembrava disso. Depois de algum tempo lembrou-se, subitamente, das facas e deu-se conta que estava ali sozinha que ele não voltara. Não sabia se voltaria ou se a observava de algum ponto do corredor. Pensou no celular, mas achou melhor não ligar. Levantou-se rapidamente, vestiu-se, pegou a bolsa e atravessou o corredor , desceu as escadas correndo, tropeçando aqui e ali nas madeiras e caixas pelo caminho. Atravessou o salão e abriu a porta. Desceu os degraus e viu-se diante de uma noite calma, fria, ouvia os barulhos da mata próxima. Respirou fundo e olhou para trás. Nenhum sinal dele. Queria conversar, falar sobre a experiência sado masoquista que ele lhe proporcionara, ela sabia que ele tinha simpatias por essas práticas, haviam conversado sobre isso, mas ele sempre a fez pensar que eram simples fantasias. Pensou nas facas, o que significavam, imaginou se ele teria intenção de fazer-lhe algo ainda mais brutal. Seu coração acelerou e caminhou rapidamente tomando o caminho de volta ao carro. Desceu até a piscina e respirou aliviada quando viu seu carro estacionado em frente à casa de campo. Procurou as chaves na bolsa. A história acabava ali, não sabia definir o que sentia, se queria vê-lo novamente, se ainda se telefonariam ou se escreveriam. Mas o melhor a fazer era ir embora.

 

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