Só escrevendo

Inevitável. Eu fico pensando e refletindo sobre o  que eu não fiz. Não tenho certezas, mas me  questiono, se me entreguei, se compreendi, se fui cúmplice, se fui puta o suficiente. Se atendi aos desejos, às ordens, à lascívia, se cumpri meu papel comigo mesma de me conduzir até aqui plena.

Eu  sou capaz de entender, de aceitar, mas nao questiono  ninguém e nem quero discutir nada, so quero expressar o que eu sinto, nao importa se certo ou errado, se procede ou não, nem exatamente o que foi que aconteceu.

É só o sentimento de que não bastei.Paciência. Posso ser meio egocentrica e  pensar, bom, dane-se quem não soube aproveitar nao fui eu. Mas eu acho que tudo serve para pensar e o que me interessa nessa história sou eu. A experiência é minha, a surpresa e o desencanto também. Então que me sirvam para  me pensar e não ao outro.

Não quero seguir   na linha do erro, da não competencia, mas me dar a chance  de pensar e crescer. Simplesmente pensar  que nessas relações, os parâmetros são outros e os sentimentos tem que ser também. Discordo mas  aceito o dogma, dogma não se discute, é assim e pronto. Não questiono direitos. Mas seria hipócrita em dizer que no fundo tanto faz, mas posso assumir o tanto faz.

Mas  o que me importa  é  onde não fui completa. É aprender que não há recompensas por maior que tenha sido o esforço, o empenho, a espera e o desejo. Alguém sempre tem  mais a oferecer, que bom, sempre ha o que agregar a outro  alguém, mas o que isso agrega pra mim? Nada. Posso cair em jargões, repeti-los a exaustão, posso. Mas não aqui.

Aqui sou eu comigo, me vendo e me vendo desapontada e  pensando, o que tiro de positivo para mim. Tiro a certeza de que preciso me rever, não em relação a sentimentos, esses são para sentir mesmo, mas em relação ao que esperar dos Outros porque cuidar de mim, só eu mesma.

Sempre fui forte, sempre fui independente, sempre entre erros e acertos caminhei com meus próprios pés. Nunca quis depender, nunca quis que  me conduzissem. Daí a necessidade  do jogo, viver a experiência erótica do não poder, do não decidir, do não caminhar , da não independência. Mas há  horas que olho em volta e penso, querida, isso é o que você quer, só você. Olha pro  outro e veja, tá na sua frente, será que é assim que  ele quer?

Hoje eu vejo que não. Vejo o encantamento em ver a dúvida, a dependência, o desconhecimento,  a fraqueza, a fragilidade, a novidade que  fascina. Que comece então outra partida, com novas pedras e novo  tabuleiro, meu  jogo já foi jogado e, creio, já está passando a prorrogação.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s


%d bloggers like this: