Reencontro

 Quatro horas de viagem…..acomodada no banco do onibus, viajando no passeio dos olhos na paisagem de serra e mar e nas musicas que invadiam os ouvidos pelo iPod.

Contando o tempo, faltam 3 horas, faltam 2 horas e as horas nao passavam e as curvas aumentavam e a cada uma delas a ansiedade de chegar.

Um dia de junho. Dia especial. Um ano antes, a mesma ansiedade, a mesma espera, o mesmo contar de horas, até que Ele chegou, eu o vi pelo vidro, do outro lado da porta. Um sorriso. Um beijo.

Um ano depois, contando de novo as horas e os celulares nos dizendo, “estou aqui”, “ainda estou aqui”, um fio que conduzia a  aproximação, o chegar do tempo e do espaço.

Desci ansiosa, olhei ao redor, Ele nao estava lá. O celular tocou, “calma, ainda tenho um bom caminho, me espera….” Eu espero, sempre espero, sempre esperei.

Uma hora, uma hora e meia, o coração aos pulos, ansiosa, o olhar fixo na esquina, vasculhando cada carro que surgia.

Até que Ele chegou. Um sorrisão em cada rosto, um brilho nos olhares e um beijo esperado, desejado.

Não temos tempo para perder. Sentar lado a lado é tao simples, tão comum, mas nunca foi para nós, mas estavamos lá.

Os caminhos pouco importaram, o tempo tambem nao.

De repente estava lá, diante dele. Inteira, plena.

Ouvi baixinho, você está presa. Estava sim, sem cordas, sem algemas, sem laços físicos, mas presa,sim. Pelo olhar, pela vontade, pelo desejo,pelo momento, pela espera, pelo sonho, pela posse.

Os sentidos enganam , a percepção turva, tudo é sentir, tudo é intenso.Não importa o que aconteceu primeiro ou o que aconteceu depois, o que estava no meio, importa só o prazer pelo toque, suave ou forte, são todos formas plenas.

Cabelos puxados, empurrada, jogada, usada, abusada, violada.

Foi o que queríamos que fosse, foi bom, foi forte.

Sem perceber chegou a hora de ir, sentidos opostos, pro norte e pro sul. Os caminhos se cruzaram ali, entre uma serra e um mar. E ali se separaram.

Segui feliz, nao importa quando novamente, quem sabe o mesmo dia de junho do proximo ano, não ha planos de vôo, não ha rotas , há os caminhos que traçaram para nós, não somos sujeitos dessa história.

Fatalidades acontecem, mas o que importa é que está tudo bem.

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